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Introdução

A investigação na área da Inteligência Artificial (IA) generativa aplicada à didática das línguas estrutura-se em torno de um problema central e estruturante: como integrar a IA generativa no ensino da língua sem substituir os processos cognitivos, metacognitivos e sociais que sustentam a aprendizagem, em particular na composição de textos escritos. Esta questão articula-se com uma exigência epistemológica clara: evitar tanto o entusiasmo acrítico quanto o negacionismo improdutivo. Subjacente encontra-se uma prioridade prática: produzir conhecimento imediatamente operável pelos professores, sem perder rigor conceptual e sem cair em promoção tecnológica descontextualizada.

Eixo 1. Da Adoção Fascinada à Integração Curricular Fundamentada

O ponto de partida didático, não tecnológico. A tecnologia só é relevante quando serve objetivos de aprendizagem claros e alinhados com o currículo. Ao discutir a integração de IA na sala de aula, estabelecem-se critérios como criatividade docente e discente, espírito crítico e intencionalidade pedagógica explícita.

Esta posição traduz-se numa grelha de decisão didática operacional que orienta o desenho de atividades:

  1. Como envolver mais os alunos de forma autónoma e intencional?
  2. Como apoiar alunos com necessidades diversas, incluindo aqueles com medidas educativas específicas?
  3. Como aferir apoio personalizado e feedback individualizado que promova autorregulação?
  4. Que preconceitos e dilemas éticos são mobilizados pela tecnologia e como integrá-los criticamente?
  5. Como apoiar colaboração e interações entre pares, fundamentadas em princípios consolidados de aprendizagem social?

A rejeição do que designa como deslumbramento tecnológico é explícita. A capacidade técnica de fazer algo com IA não significa que se deva fazer, a menos que sirva um propósito pedagógico mensurável. Este princípio atravessa toda a sua produção e formação, sendo reafirmado em contextos públicos e seminários de investigação.

Eixo 2. Didática da Escrita Processual com IA Generativa

A escrita é conceptualizada como um processo complexo, constituído por múltiplas camadas cognitivas, metacognitivas e sociais, organizado em momentos distinguíveis:

  1. Ativação, facilitação e planificação: Mobilização estruturada de conhecimentos prévios, geração e organização de ideias, planificação estrutural da escrita.
  2. Redação individual ou colaborativa: Textualização propriamente dita, composição, revisão em diferentes níveis, ajustes linguísticos.
  3. Reflexão e autorregulação: Revisão crítica do produto, metacognição explícita sobre escolhas efectuadas, internalização de critérios de qualidade.

O valor didático da IA generativa concentra-se em reforçar a consciência metalinguística do aluno, promover o domínio explícito de marcas de género textual e facilitar processos de autorregulação, em vez de substituir estas dimensões críticas. A máquina funciona como ferramenta de análise e termo de comparação, não como substituto da cognição ou da decisão linguística autónoma.